O guásimo que trabalha turno duplo
Numa tarde de céu azul sem uma única nuvem, Michel Salas e Jorge Alcalá pararam diante de uma árvore que não conseguia se decidir entre florescer e frutificar. Era um guásimo — Guazuma ulmifolia — plantado em zona rural aberta, com a terra seca aos pés e os galhos carregados ao mesmo tempo de pequenas flores amarelas e de frutos rugosos em todas as idades possíveis: os verdes e rijos dos recém-nascidos, os negros e secos dos que já cumpriram seu ciclo.
Não estavam sozinhos nessa árvore. Michel anotou que as flores são frequentadas pelas reinitas — essa turma inquieta da família Parulidae — enquanto os frutos são parada obrigatória para os psitaciformes, os loros e seus parentes. Uma mesma árvore, duas mesas postas, dois grupos de comensais distintos.
Foram tiradas cinco fotografias do indivíduo e de seu entorno. O guásimo ficou registrado nas coordenadas 10.4399°N, 75.2576°O, somando-se ao inventário vivo da Fundación como uma daquelas árvores discretas que sustentam mais vida do que se imagina à primeira vista.