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Omar, o chef que alimenta a liberdade

Naquela quinta-feira, Omar Enrique Berdugo Cabeza chegou à reserva com as mãos cheias e o dia inteiro pela frente. Preparou as bandejas com cuidado: mamão, melancia, goiaba, sementes de girassol e amendoins, tudo disposto sob o calor pegajoso do Caribe colombiano. As araras azuis e amarelas — Ara ararauna — chegaram exaustas, como se o voo pelos arredores lhes tivesse cobrado o preço do meio-dia. Omar colocou água para elas, e então a árvore voltou a ter som. Depois de comer, ele notou algo que o fez parar: cinco casais se acasalando entre os galhos. Um comportamento que, nessa espécie, indica que os vínculos estão ficando sérios — e que a reserva vai precisar de ninhos para dar conta deles. Enquanto registrava tudo mentalmente, recolheu ameixas silvestres dos arredores para levar às que ainda estão em processo de reabilitação, para que aprendam a reconhecer, com o tempo, os sabores que a mata guarda para elas. No fim da tarde, quatro ou cinco araras descansavam nos galhos da sombra, se cuidando devagar, alheias ao calor. Omar as observava lá de baixo. Havia passado o dia sendo chef, biólogo e vizinho de umas aves que ainda não sabem que ele pensa nelas mesmo quando não estão por perto.
Foto de campo
🐾 Fauna
guacamaya azul y amarilla
🌿 Flora
ciruela silvestre
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