O quebracho que ninguém convidou a voltar
Michel Salas e Jorge Alcalá caminhavam por uma encosta de declive suave, com o céu azul de março comprimido contra a copa das árvores, quando encontraram o que ninguém havia plantado: um quebracho — Astronium graveolens — que havia decidido retornar por conta própria. Alguém o havia cortado antes. Não importa quando. O que restou daquele toco guardou o suficiente para recomeçar, e ali estava, de porte médio, rodeado de arbustos silvestres e terra seca, como se nada tivesse acontecido.
O quebracho é daquela madeira que os antigos usavam para o que deveria durar — mourões, cercas, estruturas que o tempo não conseguisse vencer. Mas hoje, neste ponto da reserva, seu valor está em outra coisa: em que pode chegar a trinta metros de altura, e em que já segue seu caminho sem que ninguém o conduza pela mão. A foto que tiraram naquele domingo o mostra sozinho contra o azul, sem companhia, com todo o trabalho ainda pela frente.