A tayra e o ninho na ceiba
No piedemonte do santuário, José Marín conseguiu pegar o celular a tempo. O que ele gravou não se vê todo dia: uma tayra subindo com determinação pelo tronco de uma ceiba, direto em direção a um ninho de coruja. Lá em cima, entre os galhos, os chao chao já estavam piando — aquele pio nervoso e repetido que na semana passada também soou quando uma víbora patoco andava perto de Carlos. Eles avisam assim, em grupo, quando algo não está certo.
A tayra chegou ao ninho sem hesitar. Jogou o filhote no chão. O pequeno não sobreviveu à queda. Não sabemos que espécie de coruja era — isso ficará sem resposta por ora — mas o registro ficou em dois vídeos que José teve a sorte de capturar no momento exato.
O que mais chama a atenção não é apenas a predação em si, mas a cadeia de sinais que a cercou: os chao chao funcionando como um sistema de alarme coletivo, alertando quem soubesse escutar. No piedemonte, a selva fala antes que qualquer coisa aconteça.