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A arara que já não cabia no aviário

Nem todos os pássaros chegam à liberdade pelo mesmo caminho. Este *Ara severus* — arara-maracanã de gênio difícil — saiu do aviário 1 da Fundación Loros não como um triunfo sereno da reabilitação, mas como uma decisão urgente: a ave havia desenvolvido uma agressividade persistente que a equipe já não podia ignorar, e havia a suspeita fundada de que ela havia matado um dos seus companheiros de cativeiro. Foi Omar e Alberto quem conduziram a soltura, num domingo de março, em um ambiente rural cercado de árvores e terra de quintal caipira. Na foto que chegou do campo, a arara aparece pousada sobre uma estrutura metálica, verde e quieta por um instante, enquanto ao fundo umas galinhas seguem com seus afazeres como se nada tivesse acontecido. Não havia cerimônia. Apenas o momento em que a ave abriu as asas e demonstrou, com voo firme, que seu corpo ao menos estava pronto para o que viria. Às vezes a reabilitação termina assim: sem aplausos, com uma perda lá dentro e uma partida lá fora. A arara foi embora porque era necessário. E porque já voava bem.
Foto de campo
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