A liana que amadurece do verde ao marrom
Na trilha de terra que atravessa a floresta tropical da reserva, Michel Salas parou diante de uma liana que pendia generosa entre as copas, com aquela folhagem verde-brilhante que parece absorver toda a luz da manhã. Caderno na mão, Michel ergueu um galho para examiná-lo de perto: pertence à família Sapindaceae, um grupo que inclui desde o mamoncillo até o guaraná, e que nessas florestas encontra sua expressão mais selvagem na forma de cipó trepador.
Os frutos mal despontavam, ainda verdes e imaturos, guardando a promessa de se tornarem marrons quando chegasse a hora. Enquanto Michel anotava os detalhes, um cachorro marrom vagava pela trilha atrás dele, alheio à descoberta, como se a floresta fosse o lugar mais natural do mundo para passar a tarde. As coordenadas foram marcadas, as fotos tiradas, e a liana continuou pendendo sobre o caminho, tão quieta e paciente como sempre.