Michel encontra moringa entre os uvitos silvestres
Naquele domingo de março, Michel Salas caminhava entre os arbustos do santuário quando os uvitos o fizeram parar: várias árvores carregadas de cachos com frutos que iam do verde ao amarelo sob um céu sem uma única nuvem. Ele os fotografou de baixo, com a folhagem fechando-se sobre o azul, e seguiu em frente.
Mais adentro, no entrelaçado de galhos e trepadeiras do sub-bosque, encontrou duas plantas a mais. Uma, que os moradores da região conhecem como pica pica: urticante, com vagens secas e frutos, cuja identidade taxonômica exata ainda aguarda confirmação. A outra, sustentada entre suas mãos e cotejada com a página 69 do guia de campo, revelou-se ser moringa — Moringa oleifera — completamente silvestre, com suas folhas pinadas e suas flores brancas abertas sobre um solo ressecado de vegetação tropical seca.
Ninguém a plantou ali. Estava sozinha, florescendo sem que ninguém a convidasse.